Até ao 9º ano andei sempre em escolas privadas, escolas católicas, apenas de meninas e geridas por freiras. Só no 10º ano conhecia o maravilhoso mundo das escolas públicas e consequentemente, do funcionalismo público português.
Lembro-me do infantário, da irmã Angelina já velhinha que cuidava de nós no recreio, que nos ensinou a jogar à macaca e com quem fazíamos uma roda e brincávamos ao lencinho. Que nos ensinava a todas a dobrar os nossos lençóis e a arrumar as caminhas, porque as meninas haviam de ser arrumadas, limpas e prendadas, ainda que só tivéssemos 4 anos.
Com a entrada na primária, passei "a ser" da irmã Celina, alta, magra, de ar austero, mas a pessoa mais paciente do mundo. Passei também a rezar no pátio em frente à imagem de Nossa Senhora, antes da primeira aula e depois do almoço, a me levantar sempre que entrava na sala uma Professora, ou uma pessoa mais velha, a ajudar a irmã Francisca na sacristia e no lanche e a bordar, fazer ponto cruz e coser botões com a irmã Beatriz no sótão da escola.
Conheciam-me bem, sabiam onde morava, o que fazia a minha mãe, quem eram os meus avós, os meus tios, os meus primos, e até sabiam de quem era filha a minha vizinha que esporadicamente me ia buscar. Sabiam dos problemas entre os meus pais, sabiam que era a minha mãe que me criava, sabiam as vezes que o meu pai me ia buscar bebido e inventavam um pretexto para não o deixam me levar. Sabiam de cor e salteado que as minhas melhores amigas eram a J, a B e a P, e que tinha um odiozinho especial pela JF e pela T, e nem por isso, sempre que íamos à missa, colocava-me entre elas, porque "Temos de ser todos amiguinhos" e hoje tenho-as também como amigas, apesar de nunca mais ter sabido da T.
Sempre que iam a Fátima traziam-nos a todas um presentinho, ora uma imagem com uma oração, ora uma medalha, ora um terço.
Com a irmã Celina aprendi a escrever, a afiar os lápis para a letra sair mais bonita, a ler o meu nome, e a saber diferenciar o l do lh (o que na ilha é muito difícil, porque o l é prenunciado como lh). A irmã Celina ensinou-me o maravilhoso mundo da matemática, o divertimento em brincar com os números e com as operações numéricas, os rios de Portugal, as capitais do mundo, o nome das flores e dos aglomerados de animais.
Recordo com saudade esses tempos, éramos 22 crianças numa sala de aulas com alguns 50 metros quadrados, tínhamos as nossas secretárias, o quadro, as mesas redondas onde fazíamos os trabalhos de grupo, uma casa-de-banho, o bengaleiro para os casacos ou para as batas sujas, o quadro do comportamento, e um cantinho onde podíamos brincar e expor os nossos melhores trabalhos. A irmã Celina nunca teve filhos biológicos, era freira e dedicou a sua vida a Deus, mas acredito que tem centenas de filhas de várias idades e ainda hoje quando vê a minha mãe lhe pergunta "Como está a nossa (diminutivo do meu nome)?" Sim, porque eu era tanto da minha mãe como era dela, da irmã Angelina, da irmã Francisca, da irmã Beatriz e de todas as minhas Educadoras/Professoras.
Ao passar para a escola pública todo um novo mundo me foi dado a conhecer. Já não era preciso rezar antes das aulas nem levantar quando entrava um Professor. O respeito aluno/Professor perdera-se e consequentemente o respeito Professor/aluno também. Já não haviam recados nos cadernos, e alguns Professores não sabiam o nosso nome e estavam-se pouco marimbando para a nossa vida. Cheguei a ter um Professor que dizia "Vocês já não estão na escolaridade obrigatória, estão aqui de livre vontade, por isso, não contem comigo para vos ajudar nem para vos chamar à atenção quando estiverem distraídos. Querem falar durante a aula, mexer no telemóvel ou até mesmo sair a meio, estão à vontade, eu farei o meu trabalho e vou para casa tão descansado como vim!", isto generalizando-nos a todos como uma cambada de imberbes de hormonas aos saltos. Mas estes eram uma minoria, a maioria deixa-me com grandes e boas memórias e com um enorme sentido de admiração e agradecimento por terem ajudado a fazer aquilo que eu sou hoje.
O Professor Mário André que dava aulas de Português atrás de uma guitarra.
A Professora Daniela que nos ensinou poesia pela mão de Florbela Espanca e pela voz de Nuno Guerreiro.
As Professoras Ligia, Daniela, Felicidade e Conceição que nos incutiram a importância e o gosto pelo voluntariado, que fizeram pressão junto da direcção da escola para mudarmos de turma porque na nossa turma havia um grupo que queria ter boas notas para ir para a universidade, ou para acabar o secundário o mais depressa possível e outro grupo que pura e simplesmente nos queria arruinar a vida.
O Professor de Geografia que sempre que nos apanhava distraídos nos obrigava a repetir o que ele tinha dito passando a vergonha das vergonhas perante a sala, que não nos deixava entrar 5 minutos depois do toque, tendo-me obrigado a passar uma aula pré teste na janela porque tinha chegado atrasada e ele não abriu a porta.
O Professor de Francês que era zarolho e que gozava da sua condição dizendo que assim podia controlar a sala toda durante os testes.
A Madame, Professora de Francês, que era a confidente dos nossos amores e desamores.
A Professora Isabel de Filosofia, que me conhecia tão bem que começava as aulas a me perguntar o que tinha sido discutido nas Noites Marcianas da noite seguinte e dava a sua aula a partir dali. Que escreveu a mais bonita mensagem que a minha capa das fita teve oportunidade de receber.
A Professora São, que fazia umas jantaradas na sua casa no final do ano lectivo e convidava alunos e Professores.
A Professora de História, disciplina que eu odiava, que andava com os sapatos rotos porque o seu dinheiro era para ajudar os outros.
Porque todos os meus Professores ajudaram a criar aquilo que eu sou hoje, porque todos sem excepção não merecem a forma como o ministério os quer tratar, porque acredito que mesmo os que não fizeram greve tiveram vontade de a fazer, o meu coração está com eles.
E não senhor Crato, os meus Professores não merecem nada disto que você lhes quer fazer!
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Birthday Wishlist
Daqui a duas dezenas de dias faço anos. "Portantos", assim a modos que me apetece:
Uns "téni" nike 3 run (vou pedir a minha madrinha para me trazer dos EUA que são muitooo mais baratos lá)
Tudo da Origem, uma marca portuguesa, com certeza! www.origem.pt/
Estas babes da Paez
Vestidinhos lindos que eu ando a namorar desde Fevereiro da Pedro del Hierro
Por enquanto é só isto... Mas cheira-me que nestes 20 dias ainda me vão passar muita coisa pelos olhos. Oh se cheira! Que comecem os telefonemas de "Patrocínios"! Mamãe e senhor meu moço, mi aguardji!!
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Diet Report
18 dias depois = menos 5,400kg!!!! IUPI!!!!
Fui hoje à consulta, e voltei a levar nos cornos. A semana passada na ilha correu muito mal, fartei-me de comer frango, batatas e pizza, mas mesmo assim perdi peso. Não perdi muita massa gorda, o que é mau, mas perdi peso, o que ajuda a manter a motivação em altas.
Assim sendo, um quarto do peso a perder já foi à vida! E eu estou tão feliz!!!
Fui hoje à consulta, e voltei a levar nos cornos. A semana passada na ilha correu muito mal, fartei-me de comer frango, batatas e pizza, mas mesmo assim perdi peso. Não perdi muita massa gorda, o que é mau, mas perdi peso, o que ajuda a manter a motivação em altas.
Assim sendo, um quarto do peso a perder já foi à vida! E eu estou tão feliz!!!
Pirilampo Mágico
Todos os anos o senhor meu moço compra um pirilampo mágico, e todos os anos, aquela cagada acaba no cesto dos brinquedos dos cães. Por isso, não podia estar mais de acordo com este post da Polo Norte
That Awkward Moment
When you realise that you're going in the same flight of your ginecologist!
Pois que sim, aconteceu-me no regresso da ilha. Olho para o lado e vejo o Sr. Dr. Médico que me palpa as maminhas com sua rica e formosa esposa na fila para entrar no mesmo avião que eu. Eu bem que procurei um buraquinho para me esconder... Sou só eu que me sinto constrangida quando encontro o ginecologista na rua?
Pois que sim, aconteceu-me no regresso da ilha. Olho para o lado e vejo o Sr. Dr. Médico que me palpa as maminhas com sua rica e formosa esposa na fila para entrar no mesmo avião que eu. Eu bem que procurei um buraquinho para me esconder... Sou só eu que me sinto constrangida quando encontro o ginecologista na rua?
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Maminhas
Pessoinhas giras! Se algum dia o vosso médico vos mandar fazer uma ressonância magnética mamária, peçam aos santinhos todos para que nunca tenham visto o Dr.House, principalmente aquele episódio em que um tipo vai fazer uma ressonância magnética e começa a arder de dentro para fora do corpo, ou aquele em que o tipo tem um ataque de asma dentro daquela linda maquininha, que não passa de um cilindro com 70cm de diâmetro.
É que pode dar-se o caso de vocês estarem metidas lá na maquininha (que a partir de agora será fofamente chamada de buraco) e lembrarem-se disso tudo. Pode ainda dar-se o caso de o buraco estar quente para xuxu e vocês nervosas e a suar em bica. Pode ainda dar-se o caso de vocês chamarem 'sra enfermeira' e ela não responder, não porque não estivesse lá mas sim porque dentro do buraco o barulho é ensurdecedor e a vossa voz não passa cá para fora.
É que se isto tudo acontecer, pode dar-se o caso da vossa mão contrair voluntariamente e apertar o botão de alarme, pode ainda acontecer vocês terem apertado mal e a enfermeira continuar sem vos ouvir, pode acontecer vocês pânicarem de vez e apertar o botão como se não houvesse amanha. Pode acontecer o exame ir para o galheiro e terem de fazer tudo de novo.
Felizmente a ultima parte não aconteceu! Porque eu sou uma gaja que quando pânica, pânica como deve ser. Esperneia mãos e pernas, e pede licença à enfermeira (que entretanto já lá estava comigo) para espernear também a cabeça. Isto tudo sem mexer as maminhas! Ah, isso é que não!
De qualquer das formas, querido dr. médico das maminhas, eu adoro-o e numa escala de 0% a 100% tenho 1000% de confiança em si. Adoro-o ainda mais quando me quer palpar as maminhas sempre que me vê, quando me passa mamografias e ecografias de 6 em 6 meses, quando me pede análises com marcadores tumorais, quando nunca se fica só por um exame e pede sempre exames complementares de diagnóstico. Estamos nisto há um ano e podemos continuar assim o resto da vida (desde que o bicho não se desenvolva), mas sem ressonâncias magnéticas mamárias, sim?! Eu vi muito Dr. House, não estou apta para voltar ao buraco tão cedo. Estamos entendidos?!
P.S. ah! E sobretudo não vão ao google. O gajo é um dramático, um exagerado! Pior que o Dr. House.
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